
Nos últimos anos, o termo “autismo profundo” tem aparecido com maior frequência nas discussões sobre o Transtorno do Espectro Autista.
O contato inicial com um novo termo pode gerar dúvidas, insegurança e até medo, mas antes de qualquer definição técnica, existe algo importante que precisa ser dito com cuidado: nenhum diagnóstico define o valor, o potencial ou a história de uma pessoa.
O termo existe justamente para orientar estratégias de suporte, e não para limitar possibilidades. Ele é usado para descrever uma parcela de pessoas no espectro autista que apresentam altas necessidades de apoio, especialmente em áreas como:
- Comunicação (frequentemente com ausência ou uso muito limitado da fala funcional);
- Interação social;
- Autonomia nas atividades do dia a dia;
- Presença de comportamentos que exigem maior suporte.
Essa classificação vem sendo discutida como uma forma de dar visibilidade a essas necessidades mais intensas, garantindo acesso a serviços mais adequados e políticas de apoio. Ou seja, o objetivo não é criar divisões, mas evitar que essas pessoas sejam invisibilizadas dentro do espectro.
Historicamente, muitas pessoas autistas que demandam maior suporte acabavam não recebendo intervenções proporcionais às suas necessidades.
O reconhecimento do “autismo profundo” permite nomear necessidades, garantir cuidados e gerar impactos diretos, como:
- Acesso a terapias mais intensivas e individualizadas;
- Planejamento de intervenções mais estruturadas;
- Formulação de políticas públicas mais adequadas;
- Apoio mais direcionado às famílias.
Porém, para responsáveis e cuidadores, o impacto desse termo não está no nome em si, mas em tudo que ele comunica em sua necessidade de apoio. Na prática, isso significa:
- Intervenções mais consistentes e frequentes;
- Estratégias específicas para comunicação (como CAA, quando necessário);
- Maior suporte na construção de autonomia;
- Ajustes mais intensos no ambiente.
A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é uma ciência baseada em evidências que desempenha um papel importante nesse processo, pois se trata de uma intervenção estruturada e individualizada, fundamentada em dados e voltada ao desenvolvimento de habilidades funcionais.
Dessa forma, cada estudante, respeitando seu próprio ritmo, suas possibilidades e potencialidades, pode aprender, se comunicar, interagir e desenvolver autonomia.
O cuidado de uma pessoa com maiores necessidades de suporte exige rede, orientação e acompanhamento. E, principalmente, é fundamental que quem assume esse cuidado também seja acolhido nesse processo.
Quando se trata de pessoas que demandam maior suporte, acompanhar o desenvolvimento de forma estruturada faz toda a diferença.
No bHave, cada dado se transforma em cuidado, e cada cuidado abre um caminho. A plataforma organiza informações, permite visualizar padrões e apoia decisões clínicas com mais segurança, ajudando famílias e profissionais a avançarem juntos, com clareza e direção.
Acima de tudo, “autismo profundo” é sobre garantir que nenhuma pessoa fique sem o suporte necessário para se desenvolver plenamente e participar ativamente do mundo ao seu redor.
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Referências
WACHTEL, Lee Elizabeth et al. Profound autism: an imperative diagnosis. Pediatric Clinics of North America, v. 71, n. 2, p. 301–313, abr. 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38423722/